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Carta aberta a Paula Fernandes

 Querida Paula, a internet tem bem dessas coisas: a gente entra num site pra ler sobre televisão e se depara com notícias tão imbecis que não deveriam nem sequer serem levadas a sério. Mas de alguma forma ESSA matéria que eu li sobre você me irritou profundamente. Profundamente. E não me leva a mal, mas eu a levei a sério mesmo.

Não sei ainda se o modo como a matéria foi redigida é que me irrita ou a ideia de que você, artista inabalável que não pode jamais ter a quantidade de shows reduzida pelo mero acaso de que simplesmente não querem te contratar, reduziu seus shows por conta da crise. Melhor do que isso é ler “O Brasil inteiro sente a crise. Tudo deu uma diminuída. Mas estou bem positiva. Não podemos desanimar!”. Salvadora da pátria a senhora, hein.

Pois bem, Paula, eu tenho uma notícia que talvez te deixe um pouco chocada: talvez (apenas talvez!) a sua quantidade de shows tenha diminuído não diretamente graças a crise, mas porque as pessoas apenas não estão mais querendo te contratar. Você, dentro da sua máxima faceta de humildade, já ao menos cogitou essa possibilidade? Ou você, que sabe como funciona a mídia e conhece bem de perto o fracasso pela falta de apoio midiático, pensa que suas músicas são atemporais?

Ler essa matéria que coloca você sobre a crise me deu um gosto amargo na boca. Um gosto amargo de quem observa gente egocêntrica e mesquinha. Eu não lhe conheço, isso é bem lógico (e nem quero, na verdade), mas não é de hoje que são lançadas notas sobre sua suposta antipatia. Na verdade, nunca me importei porque sua pessoa é insignificante na minha vida (e acho, sinceramente, que na de muitos). Até o dia em que você veio a minha região há alguns anos atrás e destratou vários e vários, inclusive deixando transparecer numa transmissão ao vivo de TV. Você, artista de tão grande porte, nem pra atuar e disfarçar na televisão? Poxa vida, hein Paula.

Agora, depois de um longo tempo mergulhada no meu poço de insignificância, você volta a atacar com essa matéria apenas (e não menos!) maravilhosa. Culpar a crise pelo "fracasso" da sua agenda de shows e se colocar como artista inabalável que somente poderia ter sua agenda reduzida diante de uma realidade tão difícil e complicada como a que estamos enfrentando é de uma arrogância que me dá ânsia de vômito. Mas no fundo é genial. Genial.

Não sei quem originou essa ideia, mas creio que provavelmente não tenha sido você. Deve ter vindo de alguém que cuida do seu marketing. Fazer as pessoas engolirem que a quantidade de seus shows diminuíram não porque você vem decaindo desde o seu tempo de fenômeno até aqui, mas porque a crise está afetando sua carreira é de uma genialidade do nível Hitler de marketing. E as pessoas, bem como você sabe, vão engolir sua história. A culpa é do PT. Pronto. Acabou. É por isso que a partir de hoje não direi que tenho poucos acessos porque sou um blogueiro novato, direi apenas que "meu blog não tem muitos visitantes porque a crise econômica afetou os lares brasileiros e as pessoas estão sem internet". Sente a sacada, Paula? É muito genial, muito. Mais genial que isso somente sua declaração que já botei lá em cima: “O Brasil inteiro sente a crise. Tudo deu uma diminuída. Mas estou bem positiva. Não podemos desanimar!”. Poxa vida, você ainda sai como heroína! É quase como se dissesse:  
Olha pessoal, eu sou uma artista atemporal que não tem a agenda de shows diminuída nunca porque vocês sabem, né?O Brasil me ama. Pois bem, acontece que a crise está tão grande que tem atingido até a mim, acreditam nisso? Mas eu, como sou muito boa, me orgulho profundamente desse país e o amo, e como sou uma pessoa maravilhosa e um ser humano sábio, não estou chateada não. Desejo apenas que as coisas melhorem. Se meus shows diminuírem, isso não importa, o que importa é o país estar bem. Caramba, viu! Que mulher!

Paula Fernandes, a minha carta aberta, cercada de irritações, por fim dirige um recado direto a você: "SEJE MENAS". Mas bem "menas" MESMO. E para encerrar, algumas perguntas que eu desejo saber há muito tempo: 
Já que você sabe exatamente o momento em que a crise do país se instalou porque você foi vítima, me diga: que momento foi esse? Quando foi que seus shows diminuíram? Até o ano passado eu achava que o país estava bem e só descobri que estava mal em 2015. Você já sabia? E mais: já que sua agenda de shows segue o ritmo econômico do país, quer dizer então que quando você estava no auge da carreira, lá no tempo de Pássaro de Fogo, o Brasil também estava? Quando, me diz, por favor, o país decaiu? No dia exato do lançamento do seu CD posterior ao do dessa canção citada, já que não repetiu o sucesso anterior?

Desde já, muito obrigado, Paula. Crer, ao menos por um segundo, que a crise é a responsável pelo Brasil ouvir menos você me fez, de certa forma, acreditar que essa situação tem lá suas vantagens. Abraço pra você.

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