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Família é família, oras!

Essa semana um tumultuado tema voltou a ser discutido pela sociedade após uma Comissão definir O QUE É família. Eu, que não poderia ficar calado, tentei elaborar algo.

Sendo bem sincero, nem sei ainda sobre o que pensar. Poxa vida, juro que se alguém me perguntasse o que é família certamente jamais conseguiria responder. Não que eu seja progressista (muito longe disso), mas é que, especialmente pra mim, esse é um tema tão delicado e subjetivo que ficaria difícil passar por cima das tantas diferenças gritantes que variam de lar para lar e impor: 'Não me interessa como é na sua casa. FAMÍLIA É ISSO. PRONTO.'

Primeiramente, eu penso nos lares brasileiros em que os pais são solteiros. Uma união heterossexual significa que há duas pessoas, a não ser que exista um ser muito egocêntrico casado consigo mesmo, e ainda assim ele estaria se relacionando com alguém do mesmo sexo. "Ah, mas o texto garante ser família também uma 'comunidade formada por qualquer um dos pais junto com os filhos'". Ok, mas pera: se precisa haver apenas um dos pais e o filho, então gays solteiros são "família", mas em qualquer outro status não? Pior: como ficam os tantos lares em que os pais não são os responsáveis pelos filhos? Não são famílias? Quem tem o direito de dizer a essas pessoas que não? Quem? Que Comissão é essa, que Estatuto é esse? E os pais/mães que abandonaram seus filhos, essas pessoas ganharão status por formarem uma "família", mesmo que tenham parado por aí as suas "funções" de pais?

Pensa comigo: se o único critério para que haja uma família é a união heterossexual, então os lares brasileiros desequilibrados, em que o pai estupra a filha, agride mãe (ou o contrário, lógico), ou mesmo as casas em que os pais são infiéis, traem, tem conflitos com os filhos, entre TANTOS E TANTOS outros problemas, são esses os lares que serão defendidos? Esses são os lares que "vão garantir o futuro do país, com a base da 'família' estabelecida"? Porque infelizmente, se você mora num outro mundo, me desculpe dizer: essas situações são mais cotidianas do que você pensa. Todas as casas tem inúmeros problemas, por menores que sejam. "A vida é assim". E se for pra definir uma "instituição" tão séria de maneira tão rasa, por favor, eu não quero fazer parte disso.

Não precisa nem você achar que todas os lares brasileiros funcionam, basta ser sensível o suficiente para compreender que colocar uma definição tão enfática sobre algo que, na prática, funciona tão diferente não pode dar certo. Ninguém tem direito de fazer da sociedade o mesmo que se faz nas Igrejas: criar regras para não serem cumpridas. Sim, porque logicamente as famílias que não se adaptam a esse termo continuarão existindo, quer queira quer não, sendo chamadas pelo que você quiser que seja.

Não dá pra pensar em outra coisa: é cruel e egoísta chegar aos milhões que não se encaixam na definição dada pela Câmara e dizer: "Olha, você não se encaixa, sinto muito." É quase como se colocássemos as pessoas em caixas. Nós somos seres humanos, "dotados de inteligência", a gente não cabe em caixa!

Não acho, porém, que devamos nos desesperar diante dessa decisão política. O mundo é resultado de como nós o vemos, oras, NINGUÉM pode nos obrigar a nada. As pessoas podem dizer que o céu é rosa choque, nós podemos continuar vendo azul. Pronto. Ninguém tem nada com a vida particular de cada um, "eu faço as minhas decisões".

Por fim, da última vez que formei uma "família" o resultado foram três traições numa única noite. Se eu gostaria de novo? Não, obrigado. Continuarei sem família.


Exemplo de família, segundo a nova definição. (Imagem: Google)

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