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O Pequeno Príncipe (filme) é uma fábula sobre o tempo

Ontem fui ao cinema e, por acaso, vi "O Pequeno Príncipe". Não que não quisesse ver o filme, mas não havia me programado para vê-lo naquela ocasião.


Já ao entrar na sala me preparei para o que viria a seguir. É que amo a obra de Antoine de Saint-Exupéry e, certamente, durante algum momento “ciscos” iriam cair nos meus olhos.

É notável a forma como a animação critica a sociedade, o modo como estamos sempre com pressa, sempre nos programando para o que virá, como estamos paranoicos, doentes, ansiosos, presos, angustiados. Mais que isso: todas as vezes que o filme mostra a visão da cidade da protagonista de cima vemos tudo igual: todas as casas, todos os prédios, as ruas. O que o diretor quer passar é claro: estamos todos iguais! E enquanto agimos feito máquinas no dia-a-dia não reparamos que estamos perdendo a própria personalidade, o que nos difere dos outros.

É aí que entra o protagonista da animação: um velhinho meio engraçado (depois de um tempo descobrimos de quem se trata: o piloto que conheceu ninguém menos que “O Pequeno Príncipe” durante sua vida adulta). Estabelece-se uma ligação entre ele e a nossa protagonista, uma garotinha. 

História vai, história vem nos deparamos com os devaneios da mãe da garota, que (apenas!) programou TODA a vida da filha num quadro, e com os conflitos da menina, que se perde completamente por entre a vida que a mãe lhe escolheu e todas as descobertas que seu amigo velhinho vizinho (UFA!) lhe apresentou.

Quando o último ato chega é que compreendemos a mensagem que o filme quer passar: “não nos esqueçamos”. É tudo tão lírico no longa, é tudo tão lindo, é tão fácil, tão fantástico, tão... tão... INFANTIL! É ISSO! Ao nos mostrar todas as descobertas da garotinha, ao criticar a sua mãe sistemática, ao mostrar que estamos todos muito iguais, ao jogar na nossa cara como nossa sociedade está "robotizada", o diretor Mark Osborne não poderia ser mais claro em sua crítica: nós esquecemos de quem nós somos. Esquecemos o que é realmente importante. “O essencial é invisível aos olhos”. E se o tempo é responsável por levar de nós a infância, que não SEJA por levar nossos sonhos, desejos, sorrisos. É ISSO.

A sensação que a gente tem ao ver a animação de quase duas horas é de que ela fala DIRETAMENTE a nós, adultos, jovens, não a crianças. É um convite a relembrarmos o que queremos, o que perdemos enquanto crescíamos nesse “mundo doente”. O filme é tão pouco infantil que talvez, se dissecarmos bem a história, - SPOILER A SEGUIR – aquela viagem da garota a procura do “Pequeno Príncipe” na parte final nem tenha acontecido e tudo não tenha passado de um sonho. Mas até nisso faz todo o sentido: qual a necessidade daquilo ser real? Por mais que não tenha acontecido na realidade da garota, aconteceu. Mudou a vida dela. “O essencial é invisível aos olhos”, lembra? Não há necessidade daquilo ter acontecido aos olhos da protagonista, além de quê a forma como "O Pequeno Príncipe" foi encontrado por ela é algo que desqualifica muito o filme, portanto prefiro (e vejo) apenas como um sonho dela.

Por fim, o longa “O Pequeno Príncipe”, recriação do livro original de Antoine de Saint-Exupéry, é uma fábula sobre o tempo. Nós, que tivemos o privilégio de assisti-lo, não nos deixemos cair no esquecimento: a partir de hoje, façamos com que nossa criança interior permaneça viva e, dentro dela, nossos sonhos, esperanças, alegrias de ACHAR NO SINGELO O SUFICIENTE.

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