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#RESENHA | CD | "Honeymoon" é presente aos fãs de Lana Del Rey







 
Desde que conheci Lana Del Rey, cerca de mais de seis meses antes da sua estreia mundial com o bem-sucedido Born To Die, Lizzy Grant surpreende a mídia com seu trabalho. Naquela época (2011), cercada por polêmicas como o suposto botox nos lábios ou o pai "milionário" que teria sido o grande responsável pelo repentino sucesso da filha, a crítica especializada não soube fugir da parcialidade e muitos desses "escândalos" acabaram por "ecoar", mesmo que pouco, sobre as resenhas acerca do seu primeiro CD, lançado no início de 2012, sempre questionando a autenticidade de Lana Del Rey enquanto artista.

Em 2014, após o ótimo EP Paradise, seu segundo CD, Ultraviolence, é lançado. Aclamado pela crítica e no auge da cantora, agora grande estrela no mainstream e cercada por incontáveis supostos "fãs" surgidos a partir do nada, a fanbase da cantora sentia um gosto amargo na boca. O álbum (a propósito, excelente, não há dúvidas) trazia uma Lana diferente e um indie mais ligado ao rock que ao pop já conhecido da artista, provavelmente devido ao seu co-produtor, Dan Auerbach. O resultado direto: ótimas músicas e a vendagem do CD muito abaixo do Born To Die, grande "queridinho" dos fãs.

Eis que em 2015, pouco tempo depois do último trabalho, Lana retorna lançando a primeira música do sucessor Honeymoon, uma faixa título muito aquém das faixas títulos anteriores: as brilhantes Ultraviolence e Born To Die (essa, inigualável). Lançamento após lançamento de faixas, as expectativas para o CD cresciam, uma vez que é prometido uma volta à sonoridade do primeiro álbum. Agora, lançado, Honeymoon faz jus, acima de qualquer coisa, aos fãs que Lana conquista desde seu "surgimento" com Video Games.

A impressão que fica desde a primeira audição é que a artista escondeu as melhores músicas do trabalho para quem comprasse o CD. A sequência de faixas Freak - Art Deco - Burnt Notion (Interlude) - Religion - Salvatore - The Blackest Day, precedidas pelo excelente primeiro single High By The Beach lembra muito o EP Paradise e juntas soam não menos do que épicas, característica de Lana Del Rey que muito faltou no Ultraviolence.

 Honeymoon é também a volta de várias outras facetas de Lana Del Rey. As canções retornam ao formato de letras fortes seguidas por refrões repetitivos, mas nenhuma chega ao nível Summertime Sadness de loops. O tom melancólico de garota louca apaixonada retorna com ainda mais cores e formas, assim como o toque leve da guitarra do Born To Die e Paradise, algo que dava um certo clima praiano, meio que havaino (?), em contraponto à forte presença do instrumento no Ultraviolence. Muito criticada pela forma como glamouriza o sofrimento, a cantora acerta em cheio nesse aspecto.

Fator fundamental e uma das notáveis diferenças entre o novo CD e o primeiro é a forma como Lana Del Rey usa seu vocal. Muito melhor trabalhada, a voz flui naturalmente sob as batidas que a americana traz do seu primeiro álbum e seguido relançamento. Este é um dos poucos aspectos que lembram o Ultraviolence e o brilhante amadurecimento da cantora durante o processo de gravação do segundo disco. Del Rey desfila seu timbre aveludado entoando também versos de apoio e fazendo segundas, terceiras vozes que, somadas, formam uma junção belíssima ao fundo, numa colcha de retalhos melancólica e lírica.

 Por fim, Honeymoon nunca que poderia ser tão bem definido quanto como um presente de Lana aos fãs de sua música e do seu primeiro CD, após "meio que ter abandonado" o segundo. Mas não é só isso. Abraçando também o novo, durante "Music To Watch Boys To" e "Salvatore" há a presença de uma "flauta" (como não lembrar imediatamente da música árabe?), numa mistura mais do que interessante que denota seu compromisso com o trabalho.

Cercado de hits prontos, fica o desejo de que, dessa vez, o álbum seja melhor trabalhado e repita o sucesso do Born To Die. E se a cantora tem demonstrado sua vontade em fazê-lo, resta agora aos fãs abraçar a nova empreitada._

Lana Del Rey em Ultraviolence: "Eu quero dinheiro, poder e glória /
Eu quero dinheiro e todo o seu poder, e toda a sua glória". Lana Del Rey em Honeymoon:
"Porque você quer mais (Por quê?) / Você quer mais (Por quê?) / Você quer mais (Por quê?) / Porque você quer mais". Uma das diferenças entre os discos é a subjetividade. (imagem: Google)

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