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"Verdades Secretas" chega ao fim da forma que merece: aclamada

 

Desde que o primeiro capítulo de "Verdades Secretas" foi ao ar, já era possível prever que a trilha sonora caprichada e a fotografia, absolutamente detalhista e de muitíssimo bom gosto seriam seus grandes destaques. Sempre com textos carregados de didatismo e pobres, porém, a expectativa da crítica era pequena quanto ao desempenho do autor, Walcyr Carrasco.

Pois bem, passados três meses desde a sua estreia, "Verdades Secretas" encontrou seu final da forma mais grandiosa e surpreendente possível nessa sexta, dia 25. Rasgada de elogios por parte do público e dos críticos, a novela conseguiu ganhar espaço e notoriedade, mesmo sendo transmitida no ingrato horário das 23 hrs (e olhe lá quando não ultrapassava a barreira da meia-noite), sempre recebendo das atrações anteriores números de audiência baixíssimos para o padrão Globo, numa das piores crises (ou a pior) que a emissora já passou, com dois gigantescos fracassos, "Babilônia" e agora na reta final, "A Regra do Jogo", responsáveis por derrubar a audiência do canal no horário nobre.

Com um final trágico e polêmico à altura de grandes produções que entraram para a história, "Verdades Secretas" certamente o fará também, graças a enorme cumplicidade da trama, que sempre se mostrou clara e franca aos telespectadores. Walcyr, que já fez inúmeros sucessos em várias faixas, soube como conversar com o público de casa sobre temas pesados, e mais que isso: soube (finalmente!) sair da sua zona de conforto escrevendo uma história diferente e conduzindo-a com maestria, criando ótimas situações sem precisar recorrer ao recurso conhecido como "barriga" ("enrolação"), talvez em decorrência da quantidade de capítulos (muito abaixo dos de uma novela das 21, por exemplo), garantindo assim uma trama mais enxuta, mais ágil, mesmo que com um texto (no geral, inegavelmente bom) que ainda tenha deixado a desejar em vários pontos.

O elenco, que brilhou absurdamente, merece um parágrafo à parte. Guilhermina Guinle, absolutamente sutil na pele de Pia; Camila Queiroz, talvez um pouco insegura em decorrência de estar estreando, mas que soube dosar bem sua personagem; Drica Moraes, que parece ter "agarrado" a "Carolina" com unhas e dentes, numa atuação à flor da pele e o maior, sem dúvidas, destaque: Grazi Massafera, que numa entrega à la Nina (de "Cisne Negro"), mudou seus hábitos para encarnar Larissa e apareceu irreconhecível durante a fase fracassada de sua personagem, que emocionava e fazia chorar os telespectadores ao chocar com a sua aparência e a atuação IMPECÁVEL. Todos tiveram sua chance de brilhar: Rainer Cadete, o Visky; Marieta Severo, fenomenal como a poderosa Fanny; Gianecchini; além de Rodrigo Lombardi, claro, e demais personagens.
E se o clima nos bastidores aparentemente era de profundo companheirismo, essa sensação pode ser sentida em casa, com o elenco sempre muito harmonioso em cena. Aliás, cenas essas dirigidas por ninguém menos que o grandioso Mauro Mendonça Filho, responsável, junto ao elenco e à trilha sonora, por transformar a novela em ARTE. Esse, talvez um dos maiores méritos de "Verdades Secretas": ultrapassar a barreira do "fazer por fazer" e marcar-se enquanto produção altamente artística, aclamada, pronta para denunciar, gritar, enquanto o telespectador se deleitava com momentos de altíssimo nível na tela.

 Por fim, "Verdades Secretas" marca-se como uma das novelas mais bem sucedidas dos últimos anos, conseguindo a façanha de revitalizar a paixão do brasileiro pelas novelas, reunindo as pessoas novamente em frente à TV, mesmo num tempo em que esta parece tão decadente. Para que se tenha uma ideia, a sensação de quem viu a internet na sexta (dia 25), foi de que o país parou pra acompanhar o final da trama durante mais de duas horas. E, de fato, foi o que aconteceu. Eram mais de uma da manhã e as pessoas continuavam firmes em frente à televisão: um feito absolutamente difícil e que aparentemente não irá se repetir nem tão cedo._

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