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#RESENHA | CD | Selena Gomez - 'Revival' é sofisticado



 



 

Este ano a música pop americana ganhou uma grata surpresa. Após lançar-se em carreira solo ao 'abandonar' a antiga banda "The Scene", que a acompanhava, e logo depois do primeiro CD cantando 'sozinha' em 2013 ('Stars Dance'), eis que em 2015 a ex-estrela da Disney Selena Gomez anuncia um álbum novo e mais maduro após fechar contrato com um importante selo fonográfico.

"Revival" traz um título à altura do trabalho. Extremamente eficiente, o disco de Selena não soa como gravado por alguém desesperado em mostrar que 'cresceu', mas naturalmente demonstra grande maturidade por parte da artista.

Já na primeira música, a faixa-título, dá pra se ter noção de uma das características mais marcantes do CD: a busca por uma sonoridade menos 'genérica', sempre apostando na utilização de timbres diferentes, mesmo que no geral o aspecto do som seja 'contido'. Durante a ótima 'Kill Em with Kindness', é possível verificar a consistência dessa ideia, ao ouvirmos uma agradável mistura melódica de 'assobios' com uma batida que se repete pós-refrões e anteriormente aos versos. 'Hands to myself' aposta na 'voz de cabeça' de Selena (já que essa parte do corpo muito lhe sobra, brincadeiras à parte), que começa a ganhar forma aqui, e 'Same Old Love' se mostra satisfatória. 

A primeira faixa a incomodar, no entanto, surge a seguir: 'Soberfor' soa tão, mas tão Charli XCX que até o vocal parece feito sob medida para 'imitar' a britânica. Quem conhece o 'Sucker', da Charli, vai notar que a canção parece extraída de lá. Decepcionante.

Após o susto, 'Good For You' ganha cores e relembra o porquê de tanto sucesso, inesperado até pela própria Selena, que já confessou que não pretendia lançá-la como single. A americana sabe entoar perfeitamente os versos de maneira que soa extremamente sexy, mas longe de vulgar. E a participação do A$AP Rocky agrega.

'Camouflage', baladinha, serve para trazer frescor ao álbum e preceder as excelentes 'Me & the Rhythm", que de certo modo muito lembra o dance do milênio passado, assim como se renova ao trazer uma melodia sintética que perpassa pela harmonia e surge sob o vocal de Selena (aqui usando bem mais da 'voz de cabeça' no refrão), e a gigante "Survivors", que de novo aposta na ideia de timbres mais rebuscados e melódicos sobre as batidas. Esta talvez a melhor faixa do disco. 'Body Heat' e 'Me & My Girls' têm algo que lembra o fervor da música latina, ou de outros países que têm incorporado à sua cultura ritmos mais dançantes. 

"Revival" é a busca por algo novo. Selena já o definiu como a sua 'forma de dizer e demonstrar como está crescendo, sem precisar que outros o façam'. De certa maneira, é perceptível. Elegante ao apostar numa textura mais simples e retida, ao passo em que soma novas formas e sons as suas batidas bem compassadas presentes durante todo o álbum, "Revival" se revela sofisticado._

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