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#RESENHA | FILME | "Perdido em Marte" é redenção de Ridley Scott após "Exodus" e "Prometheus"


Dentre muitos dos seus últimos trabalhos, dois filmes de Ridley Scott destacam-se de 2012 para cá: o mediano 'Exôdo – Deuses e Reis' e o bom, mas muito aquém das expectativas, 'Prometheus'. Agora, de volta à ficção científica, gênero que o consagrou, o diretor parte para um trabalho baseado no livro de Andy Weir, “Perdido em Marte”.

Apesar da premissa do longa aparentar um certo pertencimento ao gênero drama (e não deixa de ser, lógico), é um alívio a forma como a trama é conduzida, sempre com leveza e com perspectivas extremamente otimistas (não sei se essa é a fórmula adotada pelo livro também). O personagem de Matt Damon ganha traços de cientista (e botânico!) bem humorado, sempre focado em contornar a situação, no mínimo caótica, na qual vive:  foi 'deixado' em Marte pelos colegas de missão após um acidente. Várias gargalhadas são dadas durante as quase 2h30m do longa, em alívios cômicos extremamente eficazes e certeiros, que surgem apenas em momentos em que há espaço para tal na história.

A fotografia, altamente eficiente, apesar de não ser surpresa num trabalho de Ridley, é de se louvar. O tom avermelhado e o vazio 'existencial' que dominam Marte por vezes dão certo toque melancólico à tela, junto aos momentos em que o planeta é mostrado sob vários ângulos, numa talvez referência ao início de “Prometheus” ou à saudosa fotografia de '2011: Uma Odisséia no Espaço', de Kubrick. Detalhes que acrescentam ao filme um toque bastante especial e brilhante de Scott.

A trilha sonora, por sua vez, é mais um ponto positivo. Há um certo movimento em Hollywood para trazer de volta flashbacks nos seus filmes, não é possível! Já vimos essa tática ser adotada em 'Guardiões da Galáxia', 'Kingsman' (entre outros) e agora em 'Perdido em Marte'. Como nos casos anteriores, cabem muito bem as músicas antigas no longa novo.

Matt Damon brilha e aparece bastante confortável junto ao seu personagem, Mark Watney, num trabalho que certamente não lhe renderá prêmios, mas que desde o início deixa claro que esse não é seu objetivo. Fosse dirigido por alguém como Alejandro González Iñárritu ou Darren Aronofsky, certamente os personagens ganhariam mais densidade, principalmente o protagonista, que com certeza teria sua humanidade e seu psicológico bem mais aproveitados e levados bem mais a fundo dentro das situações pelas quais passa. Mas Ridley entende bem da indústria fonográfica e sabe onde quer chegar, ao trazer um blockbuster absolutamente despreocupado em parecer mais inteligente do que é ou cult o suficiente para se tornar “cinema de arte” (diferentemente de 'Prometheus', que surgiu como promessa de clássico à altura de 'Alien', mas não foi). Incrível é que em nenhum momento saber para quem seu produto vai ser destinado soa como ponto negativo ou diminui seu grandiosismo. Ponto para o diretor.

Por fim, “Perdido em Marte” é bastante competente em trazer Ridley Scott de volta ao seu posto de ícone da ficção científica. Seja em um argumento que convence (apesar de não ser original, já que vem do livro que gerou o filme), mesmo que numa situação em que o protagonista não parece ter nenhuma saída a não ser aceitar seu próprio fim, em diálogos que contam com inúmeras explicações envolvendo química, biologia, CIÊNCIA no geral sem necessariamente complicar ou ‘enrolar’ a história, em uma fotografia e sonoplastia extremamente competentes ou em uma excelente atuação de Matt Damon, mesmo que não posta à prova durante nenhum momento, “Perdido em Marte” se torna referência ao ‘gritar’, em alto e bom tom, que blockbusters hollywoodianos podem SIM apostar em qualidade sem perder público e que, apesar da difículdade em manter o equilíbrio entre esses dois, quando atingidos sob uma direção de ‘mão pesada’, podem render momentos icônicos. _

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