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#RESENHA | CD | John Newman - "Revolve" é confuso

 


 






Um dos pontos mais importantes na carreira de qualquer cantor ou banda certamente é o segundo álbum. Espécie de "provação" pelo qual o artista passa, grande parte decepciona ou se firma após essa etapa da carreira.

Pois bem, eis que John Newman finalmente presenteia o mundo com o sucessor do bom "Tribute", de onde surgiu o hit "Love me Again". Aqui, porém, num álbum repetitivo, apesar de interessantíssimo, o britânico parece perdido.

"Revolve" aposta em ótimas texturas musicais. Riquíssimo em camadas, o trabalho consegue se sobressair positivamente graças à base sonora arrojada. O piano aparece durante todo o CD, sempre acompanhado de instrumentos metais de sopro, aparentemente trompete ou/e sax, assim como guitarra, baixo (bem audível em algumas canções), violino/viola, muita bateria e "estalos" de dedo complementando a mistura com timbre e ritmo. Os vocais 'extras' (em alguns momentos no maior estilo coral gospel) presentes durante algumas faixas dão ao trabalho um toque especial, com destaque para a parceria de Charlie Wilson em "Tiring Game". O lado soul de Newman nunca esteve tão aflorado quanto aqui.

Bem como já sabe o Capital Cities, instrumentos de sopro combinados com sons mais sintéticos, eletrônicos, dão muito certo. Ao apostar neste casamento, John consegue surgir também, além de soul, mais pop que nunca. E se em "Something Special" o cantor consegue imprimir sonoricamente algo que muito remete às festas de jazz americano dos anos 60/70 de "On The Road", do Jack Kerouac, sempre agitadas, num espaço em que todos dançam 'loucamente' enquanto os músicos tocam seus instrumentos freneticamente e o vocalista dá seu "sangue" no palco, logo em seguida nos leva a algo mais eletrônico, com "Lights Down".

Apesar de todos os aspectos positivos, há também muitos problemas em "Revolve". Desde a sua abertura, que repete a ideia central já usada no anterior "Tribute", com uma faixa inicial capaz de 'apresentar' o tema do disco, John entra num loop. Para que se tenha uma noção do nível de repetições do CD, a faixa de número 7 chama-se "Never Give It Up", a próxima, "Tiring Game" tem como refrão Our love is just a tiring game / I'll never give it up, I'll never give it up. Todas as músicas carregam um tom muito semelhante, sempre muito agitadas. Em certo momento parece que a festa de Newman não vai acabar nunca mais.

Outro problema causado basicamente pela repetição é a forma como o britânico leva as fórmulas que estabelece à exaustão. Ao mudar a sequência de uma faixa e a estabelecer de forma que o refrão anteceda o primeiro verso, o resultado soa interessante. Porém, ao usar desta mesma iniciativa em várias faixas, a ideia não só soa preguiçosa como também cansativa.

Um ponto importante em qualquer álbum é fixar um tema principal que deve interligar todas as canções, dando sentido de unidade ao disco. Aqui pouco disso se tem. Ao colocar "Blame", parceria com o DJ Calvin Harris, em plena faixa número 5, Newman não só perde dois pontos nesta resenha como também parece absolutamente despreocupado com a estética de "Revolve", embora a decisão de incluir a faixa em plena metade do CD possa ter surgido da gravadora, interessada em destacar um hit importante, já que os primeiros singles não emplacaram nos circuitos mainstream. "Blame" destoa tanto do restante das faixas do disco que quem a escuta pode pensar que trocaram o CD. Uma pena. Fizesse como Ellie Goulding, que sempre acrescenta aos seus trabalhos as faixas com o Calvin, mas apenas como bônus, John não teria perdido tanta credibilidade.

Enquanto "provação", o segundo disco de John Newman mostra claramente um artista excepcional, mas ainda com muito caminho a seguir para compreender bem a si mesmo. O britânico precisa, inclusive, melhorar sua impostação, procurando formas de minimizar a voz anasalada, que atrapalha as vezes. "Revolve", no entanto, tem uma ótima produção, ao mesmo tempo em que peca justamente por não ter sido melhor aproveitado em certos momentos. E por soar confuso aos ouvidos de quem escuta, deixa apenas um gostinho do que poderia ser.

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