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#RESENHA | SÉRIE | 'Supergirl' é promissora










Desde que foi anunciada, ganhou trailer de seis minutos e teve seu episódio piloto "vazado", 'Supergirl' se tornou uma das principais apostas para a nova temporada de séries americanas. Com seu primeiro episódio já ido ao ar, na segunda-feira passada, as primeiras impressões tornam o novo produto, no mínimo, promissor.

Se em Smallville Clark Kent levou dez temporada (dez anos!) para se tornar o Homem de Aço, aqui em questão de 10 minutos Kara já voa e faz sua primeira aparição. No minuto 20, seu melhor amigo já descobre sua identidade. E assim, freneticamente, o episódio se apresenta.

É interessante como o 'Superman' é abordado. Já estabelecido na Terra, o herói é constantemente citado durante as falas dos personagens, mas não de forma que destoe ou ponha Kara sob sua sombra. Muito pelo contrário, sua presença aqui soma. Os efeitos especiais, que por sua vez têm bastante destaque, são competentes, embora boa parte das cenas de ação, principalmente as no céu noturno durante o acidente do 'avião', tenha cortes grotescos e erros de continuidade muito evidentes.

Jimmy Olsen surge de uma forma tão inesperada que a coincidência parece mais um furo no roteiro, até que descobrimos a real motivação no final do piloto e compreendemos (graças a Deus!) o sentido da sua aparição na companhia da Cat Grant, chefe da Kara, nossa alienígena. A relação entre as duas, aliás, rende um parágrafo inteiro. Desenvolvida de forma que muito lembra 'O Diabo Veste Prada', o que inclusive gerou críticas, é interessante observar como a série, num aspecto, peca bastante: Tanto Cat (que às vezes lembra o John Jonah Jameson, do 'Homem-aranha', numa versão contrária em que há apoio ao herói - no caso, heroína) quanto Kara aparecem na tela 'caricaturadas' demais, com muitas expressões, gestos desnecessários e que prejudicam no resultado final da atuação de suas respectivas intérpretes.

Não tem como não lembrar de outra referência claríssima durante os 46 minutos iniciais da série: o tom da relação entre a protagonista e seu melhor amigo é tão teen, mas tão teen que lembra aqueles romances adolescentes feitos 'sob medida' para o público 'feminino', tal qual 'Um Encontro com seu ídolo' ou 'S.O.S do Amor', no qual o melhor amigo se apaixona pela amiga, mas sofre calado (aqui nem tão calado assim) enquanto a vê gostar de outro.

'Supergirl' remete muito à 'O Homem de Aço', de 2013. Conceitos sobre a 'Zona Fantasma' e o 'S' no traje seguem a mesma ideia apresentada no filme, assim como vários questionamentos abordados na obra de Zack Snyder e no vindouro 'Batman vs. Superman' se repetem. A preocupação que a irmã de Kara (de quem inicialmente se desconfia) tem com ela e com a forma como as pessoas podem reagir à sua existência, mesmo que com seu primo Superman já firmado, evidencia este quadro. Questões existenciais da kryptoniana são tratados aqui também.

Além da ótima trilha sonora, o primeiro episódio também tem ótimas sacadas de humor, como o momento em que Kara revela para o seu amigo (que, adivinha só, trabalha no 'TI') a existência de um segredo e ele imediatamente relaciona: 'OMG, você é lésbica?' ou os testes de uniforme da heroína.

Num determinado momento da série, uma garçonete diz: 'Dá pra acreditar numa heroína feminina? Finalmente alguém em quem minha filha pode se inspirar.' Em outro, a irmã de Kara contrapõe o comentário de seu chefe de que a mesma não 'é forte o suficiente': "Por quê? Por quê é uma garota?", e é assim que 'Supergirl' se destaca, inclusive numa cena em que a kryptoniana tira a roupa e deixa seu uniforme de heroína à mostra enquanto se prepara para a ação, numa épica referência: cheia desse poder feminino, provando que faltava (e ainda continua faltando) espaço para as mulheres na televisão, cinema, quadrinhos, embora parte dessa 'brecha' esteja preenchida enquanto a série existir.

Alguns problemas, como a constante 'batalha' pessoal entre auto-estima e a dúvida do 'será se realmente sou uma heroína?', que já persistem por demais em "The Flash", surgem aqui também para encher o saco do telespectador. Mensagens de otimismo, motivacionais preenchem boa parte final do episódio, numa desnecessariedade gritante. As coreografias nas cenas de luta precisam urgentemente melhorar, assim como o tom dado à Kara, que parece sempre muito bobinha, atrapalhada. Incomoda as vezes. A ideia de uma instituição que combate alienígenas e presta ajuda à Supergirl também não empolga e a estrutura interna da organização, sempre muito carregada de 'CGI', chega a ser tosca.

Por fim, "Supergirl", apesar de todos os erros, consegue se sobressair e apresentar um bom início. Fica o desejo de que a história possa crescer, já que um 'piloto' nunca é suficiente para determinar a qualidade de um trabalho, muitas vezes inclusive sendo bem fraco em relação ao desdobramento posterior. Até agora, pelo menos, temos uma série aparentemente promissora._

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