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TAYLA FERREIRA | POESIA CONCRETA E PAULO SOARES

(Pós tudo, Augusto de Campos)


Poema concreto é um tipo de poesia vanguardista, de caráter experimental, basicamente visual, que procura estruturar o texto poético escrito a partir do espaço do seu suporte, sendo ele a página de um livro ou não. Os poemas visuais exploram a relação do significado das palavras com as imagens. Em muitos casos o poema sugere uma leitura diferente daquela tradicionalmente consolidada (a leitura em linha reta, por meio de períodos e parágrafos). Nesses poemas concretos, a leitura às vezes segue os contornos de uma imagem, de um desenho; ou então as próprias palavras formam um desenho.


Poema concreto em que a própria palavra forma um desenho (Xícara, Fábio Sexugi)



Capa do disco solo de Marcelo Camelo, em que aparece o poema visual de Rodrigo Linares. Nele, lemos "nós" ao invés de "sou".


(Pluvial, Augusto de Campos)



(Olho por olho, Augusto de Campos)



(Epitáfio para um banqueiro, José Paulo Paes)



(Beba coca-cola, Décio Pignatari)


A poesia concreta foi a principal corrente de vanguarda da literatura brasileira. Iniciado em 1956, o Concretismo foi liderado por três poetas paulistas: os irmãos Haroldo e Augusto de Campos e Décio Pignatari. Entre as principais propostas do movimento, estavam a extinção da poesia intimista e o desaparecimento do eu lírico, propostas encontradas na poesia de João Cabral de Melo Neto, cujos ideais inspiraram os concretistas.
A divulgação dessa arte tão peculiar contou com diversos suportes e meios técnicos, entre eles livros, revistas, jornais, cartazes, videotexto, holografia e, na contemporaneidade, a internet.


                                     
(ESPÉCIE, Paulo Soares)

No caso da poesia de Paulo Soares, temos o uso do significante (forma gráfica, imagem visual) inserido diretamente no texto, fazendo relação também direta com o significado não só da palavra, mas do poema em si. No texto acima, na representação da palavra "barata", vemos a troca da letra "A" pelo próprio animal. Não se trata apenas de poesia concreta, Paulo Soares reinventa a espécie de poesia surgida em 1956 com os paulistas, e nos faz um convite a explorar as relações existentes entre a imagem e a palavra.


(UMBILICAL, Paulo Soares)

Aqui, mais uma vez a troca da imagem gráfica pela "própria coisa" expressa na palavra. No caso, a do "O" pelo o umbigo. 


(Paulo Soares)


(Paulo Soares)

O que esfriou? o amor, ou o espetinho?







(DESPERDÍCIO, Paulo Soares)



As relações humanas também são temas frequentes na poesia de Paulo Soares. O poético é construído muitas vezes a partir de fatos do cotidiano, de palavras de uso comum, por situações comuns, mas que na poesia se torna algo único. O que faz, portanto, a poesia dele ser também singular. 

É preciso assim, rever a palavra para compreende-la e senti-la. Como disse Arnaldo Antunes: “Todas as coisas do mundo não cabem numa ideia. Mas tudo cabe numa palavra”.


(Augusto de Campos)

Confira abaixo um vídeo que representa cinco poemas concretos.




Créditos
Imagens: Google
Poemas de Paulo Soares: Imagens retiradas do Facebook
Vídeo: Youtube

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