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#RESENHA | CINEMA | 'Esquadrão Suicida' é um bom filme. E ponto.

 
 


 
 


















'Esquadrão Suicida' enfim chegou aos cinemas, causando mais discórdia do que se esperava e repetindo o feito de 'Batman v Superman: A Origem da Justiça' nesse quesito. A diferença é que o trabalho de Zack Snyder realmente parece boicotado tanto por parte dos críticos, que já deixaram clara a rixa com o diretor, quanto pela própria Warner Bros., que ao picotar a edição que deveria ter ido aos cinemas de três horas, prejudicou imensamente a fluidez e o funcionamento da trama. Uma mancada imensa, tanto que vários sites pelo mundo já trataram de voltar atrás e reconhecer a beleza do trabalho de Snyder, graças a versão original do diretor lançada em Blu-Ray.

'Esquadrão Suicida', por outro lado, não é tão ruim quanto apontam alguns críticos, porém está ainda mais longe de ser espetacular. É um filme bom. E ponto. Daqueles que não se preocupam em desperdiçar valiosas situações que poderiam ser melhor utilizadas. É tanto potencial por vezes jogado no lixo que a sensação ao ver em tela o resultado final é de que boa parte das sequências foram dirigidas com uma imensa preguiça.

Verdade é que o longa de David Ayer poderia ser um marco dentro da história do cinema e um importante contraponto para quem acredita que há uma saturação no mercado cinematográfico. O filme poderia, sozinho, oxigenar Hollywood e um pouco dessas histórias repetitivas de super-heróis, mas não só NÃO o faz como também torna-se vítima justamente dessa indústria que repete sempre a mesma fórmula.

A história só não chega a ser mais genérica porque quase não há história a ser contada aqui. Antes, era positivamente surpreendente pensar que Ayer havia feito TODO o roteiro em apenas seis semanas, mas depois de ver o resultado pronto, o surpreendente passou a ser como ele levou tanto tempo pra escrever absolutamente nada. Qualquer estudante de cinema escreveria a mesma coisa em SEIS dias (!).

Começando pela motivação do vilão - e da vilã -, a trama é muito frágil e mal se sustenta. Nesse quesito, 'Esquadrão' parece muito com vários dos filmes da Marvel, sempre subaproveitando seu vilões e reduzindo tanto as motivações destes que quase nunca consegue-se de fato temê-los ou crer em suas ameaças. Pior ainda: tornando a história água com açúcar. A diferença é que para os filmes com selo Marvel a crítica fecha os olhos e dá uma nota oito. Este não é o caso.

 A trilha sonora, que por vezes funciona e encaixa-se muitíssimo bem, em outros momentos parece só jogada em cima das cenas, sem qualquer sentido ou contexto. Chega determinada hora no filme e ninguém aguenta mais ouvir músicas pop. São muitas e todas picotadas. Para se ter uma ideia, logo nos primeiros cinco minutos, são tocadas TRÊS (!).

A edição, ao contrário do que se tem falado, não é problema. Os vinte minutos inicias são mais agitados, logo depois a trama caminha mais devagar e no final temos a grande batalha, repleta de clichês do gênero, mas tudo flui bem durante todo esse intervalo de tempo. O 'encaixe' entre as cenas é bom. Sobre a polêmica da Warner Bros. ter novamente se intrometido e cortado algumas sequências, o próprio diretor já se pronunciou: o corte levado aos cinemas tem sua assinatura. A empresa apenas cuidou para que a história ficasse mais leve e cortou algumas cenas do Coringa. Esta foi inclusive uma ótima decisão: o longa é sobre o Esquadrão Suicida e é nele que deve focar. Não faz o menor sentido permear a trama, bagunçando-a, com flashbacks envolvendo o palhaço do crime. Cortá-lo, pelo contrário, deu mais fluidez à história. Além do mais, 'romantizar' de última hora a relação entre ele e Arlequina foi o certo, já que o público geral não está preparado para acompanhar o romance 'selvagem' dos dois e isso poderia gerar críticas demais ao Estúdio e ao longa.

Além do mais, os maiores problemas do longa partem do roteiro e da direção preguiçosos de Ayer, que parece tão relaxado na elaboração e condução das cenas que nem se dar ao trabalho de abrir mais o ângulo e aumentar o espaço filmado se dá. Parte do filme é esquizofrênico porque o diretor deixa tudo muito fechado, quadrado, focado demais na tela. As opções pelos clichês, pela ação genérica, pelo momento 'o amor vence tudo, vamos lutar' tornam o filme apenas regular tecnicamente, mesmo quando somos presenteados com ótimos fans services e sequências de tirar o fôlego. As reviravoltas frágeis e previsíveis também não ajudam. Não adianta culpa a Warner desta vez, como foi com 'Batman v Superman' - neste, com razão -.

Vamos então para o melhor e o grande salvador do longa: os personagens e as personalidades por trás deles. As performances são inacreditáveis e os atores brilham em cena ao darem vida, com muita intensidade, vontade e amor, aos seus bad guys. Os dramas que acompanham 'todos' do Esquadrão não atrapalham, muito pelo contrário, fazem com que o espectador crie uma identificação forte. E mesmo que nem sempre sejam trabalhados da melhor forma possível, criam uma espécie de profundidade na personalidade de cada um.

Nisto, o filme de Ayer é absolutamente feliz e certeiro: elenco. Arlequina e Amanda Waller, por exemplo, roubam a cena. Brilhantes as conduções das atrizes por trás de ambas e a forma como tomam para si suas personagens, que são emblemáticas e profundas, abrindo possibilidade para várias discussões, o que é excelente. Will Smith incrível também, interpretando 'ele mesmo', o que o deixa muito bem a vontade nas suas aparições. O resto do time também igualmente excelente, com a única exceção em Cara Delevingne, que não é péssima, mas apenas regular. Jared Leto ainda não encontrou espaço suficiente para fazer do seu Coringa o definitivo, mas é brilhante e consegue levar às telas um personagem muito próximo dos quadrinhos. Nesse aspecto, é bem mais 'fiel' que o de Heath Ledger, inclusive, mesmo com o visual gângster exagerado e a romantização que lhe fizeram para não gerar muitas críticas na relação com a Arlequina.

Outro ponto positivo relacionado ainda ao elenco e ao roteiro é que todos os personagens tem bom tempo em tela - tirando a Katana, talvez - e funcionam muitíssimo bem juntos. O time realmente se impõe como tal e a dinâmica entre todos é fenomenal, inclusive na luta final.

Não há muito a considerar sobre 'Esquadrão Suicida' em termos técnicos. Ainda assim, o filme é um divertido e bom entretenimento. Valeria o ingresso e uma nota média só pelo seu grande mérito, que se concentra justamente naqueles que dão nome ao trabalho: os personagens. A recepção do longa, no entanto, suscita uma pergunta: porquê alguns filmes da Marvel com problemas semelhantes tem pontuação alta? Porquê há diferença no tratamento dado aos filmes da DC por porta da crítica? Essa novela sim ainda está longe de acabar.

Comentários

joemaclaine disse…
Concordo com você, a DC é perseguida por parte da crítica que se não é formado não pode ser chamada de especializada. 90 % dessas têm bases frágeis e discutíveis.