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#RESENHA | CINEMA | 'Águas Rasas' é quase sobre o diretor Jaume Collet-Serra

























Jaume Collet-Serra já pode ser considerado um diretor experiente e bastante ciente do tipo de filme que sabe e gosta de fazer. Tendo estreado com 'A Casa de Cera' e sendo responsável pelo suspense em 'A Órfã' e pela ação em 'Noite sem Fim', ou pela mistura entre os dois gêneros em 'Sem Escalas', é em 'Águas Rasas', seu mais recente trabalho, que o espanhol consegue reproduzir bem seu potencial - incluindo algumas falhas - misturando novamente suspense e ação num trabalho incrível.

Primeiramente, há de se escrever que o longa é um exercício aos olhos. A fotografia deslumbrante sobre a locação onde se passa a história - que já é lindíssima por natureza -, bem como certos enquadramentos e sequências feitas pelo diretor, que potencializam ao máximo e exploram bem a beleza do lugar, são enormes presentes ao público, que se vê imerso na história desde o início. O roteiro bem trabalhado que inclui reviravoltas meticulosas que, apesar de parecerem por vezes inverossímeis, são bastante surpreendentes, a performance de Blake Lively, que incorpora bem a personagem e toda a situação a qual esta está submetida, são méritos que, somados ao restante da produção, elevam 'Águas Rasas' ao patamar dos melhores suspenses aquáticos.

E se é na direção de Jaume Collet-Serra que o longa concentra parte de seus acertos, provavelmente é na direção também que alguns erros tornam-se mais notáveis. Chega a ser cansativo em alguns momentos reparar em como a bóia de sinalização, a rocha em que a personagem Nancy fica presa e o próprio tubarão do filme parecem mudar de lugar e até de tamanho de uma hora para outra - no caso do tubarão, o erro consiste apenas no tamanho. Isso incomoda. Há alguns erros de continuidade que se tornam evidentes quando o diretor - ou as pessoas por trás dos efeitos especiais e da continuidade- não consegue deixar estas características firmes e bem amarradas o filme todo. Ora a rocha de Nancy parece estar próximo à praia, ora parece estar mais distante. Ora a bóia sinalizadora parece próxima, ora está muito longe. A baleia morta, pelo contrário, nem parece que está flutuando solta em mar aberto. Permanece praticamente no mesmo lugar. E quando muda, mais parece ser justamente por erro de continuidade do que propositadamente para dar verossimilhança à trama. Algumas situações tornam-se um pouco absurdas, mas o roteiro encontra maneiras criativas de contorná-las e fazê-las mais reais.

Ainda assim, 'Águas Rasas' torna-se um produto de alta qualidade e um ótimo entretenimento, capaz de causar as mais diversas sensações no espectador, que 'embarca' junto do filme e se vê ali, com a protagonista. A trilha sonora e sonoplastia caprichadas elevam o suspense a outro nível e a condução de algumas cenas é capaz de fazer qualquer pessoa saltar da cadeira em determinados momentos. Um mérito e tanto. Ah! E -spoiler!- ainda tem música da Sia no final!

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