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#RESENHA | CINEMA | 'O Lar das Crianças Peculiares' é um desperdício






















 Todo gênio pode um dia falhar. Aliás, como seres humanos, essa é a nossa maior peculiaridade - para não usar outras palavras -: errar. Sendo assim, nem mesmo o aclamado Tim Burton estaria distante o suficiente do fracasso. Em sua mais nova adaptação, 'O Lar das Crianças Peculiares', o diretor não só perde a mão como destroça boa parte de uma história realmente incrível. Mas vamos por partes:

Desde os primeiros minutos em tela, já é possível reparar nas sutis diferenças entre a trama contada no longa e no livro. Lógico que numa adaptação nem tudo deve ser aproveitado e torna-se mais do que normal mudar certas situações. Ok. Tudo bem. O primeiro escorregão de Burton, no entanto, é a partir do momento em que situações incríveis descritas no material original não são levadas à tela. Pelo contrário, até quando são levadas, parece que parte do encanto perde-se e fica tudo apenas no automático e na referência à assinatura do diretor. É sem sal. Poderes são mudados. Poderes são acrescentados. Personalidades são destruídas e remodeladas. Refém do estúdio que pode ter mudado propositalmente parte do que é feito no livro ou não, muito da trama se perde ou se modifica de forma a tornar tudo muito desinteressante e clichê.

As atuações são outro ponto bastante discutível. Asa Butterfield parece automático demais, assim como o personagem de seu pai, absolutamente insosso, podendo facilmente ser substituído por uma porta. Eva Green é bastante certeira e Samuel L. Jackson parece que tem todas as falas improvisadas e interpreta uma paródia tragicômica de si mesmo.

Aliás, esse é o maior problema do filme: o roteiro pobre. Os diálogos são por vezes de doer de tão ruins, as motivações dos vilões péssimas e muito mal trabalhadas. Muitos furos num roteiro que encontra no seu ato final o pior de todo o trabalho: clichês sobre clichês. As cenas são tão patéticas e óbvias que poderiam facilmente ser atribuídas a Michael Bay em 'Transformers' numa versão infantil colorida 'Tim Burtiana'. Esse é o nível. Pior ainda se pensarmos que tudo ali foi inventado e nunca existiu no material original - graças a Deus. As crianças são transformadas em X-Men e todo mundo parece que sai falando o que quiser, sem texto nenhum. Aliás, se formos pegar como base o roteiro das cenas anteriores, melhor a sua inexistência mesmo.

Os efeitos visuais não são dos melhores, a trilha sonora é competente, mas o longa não consegue sair do patético. Uma crítica que dá ao trabalho mais de cinco estrelas só as dá pelo nome de Tim Burton estampado no projeto, porque não é possível que alguém encontre ali um bom filme. Fosse assinado por alguém como Zack Snyder, a nota seria um merecido zero. A crítica americana realmente endoidou.

Sendo assim, 'O Lar das Crianças Peculiares' é uma receita pronta do que NÃO fazer numa adaptação. E tudo que Burton fez dar certo em 'A Fantástica Fábrica de Chocolate' deu errado aqui e foi desfeito com gosto de gás. Um livro incrível transformado numa história apressada, superficial, que tenta abraçar muitos temas, núcleos e histórias ao mesmo tempo e que ao final não entrega nada. Absolutamente nada. É como se pegássemos cinco ótimos livros e transformássemos em um único pedaço de lixo. De peculiar aqui apenas o tremendo mal gosto. Um desperdício dos mais tristes.

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