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TAYLA FERREIRA | BRASIL | O encontro com a luz e poesia: a fotografia de Mariá


Impossível não perceber a força de toda a beleza e a poesia presente nas fotos de Mariá Lessa, 22 anos, que atualmente reside em Juíz de Fora (MG).

Meu primeiro contato com suas fotos foi no Instagram. Seguia Mariá no Tumblr, e só vim saber de sua conta nessa rede social através de uma foto postada por ela. E, entre uma postagem e outra, fui me apaixonando cada vez mais. É singular essa sensação de contato com a arte da fotografia, que pelos olhos de Mariá se expressa de forma tão intensa e poética.

A relação dela com a arte, que se estabelece contudo numa intertextualidade entre pintura, cinema, e a própria fotografia, iluminam nosso olhar. Aliás, uma das coisas que sabemos dela, é que a luz, é uma das coisas que ela mais admira. Seja a luz do sol, natural, ou a luz dos prédios, luz que ilumina a arte, a fotografia, e nossos olhos. 


A natureza, as folhas, árvores, flores, pássaros, são frequentemente vistas na fotografia de Mariá.




E em tudo a fotografia de Mariá é poesia. Os detalhes, os olhares nas fotos, a melancolia que a combinação do preto e branco traz, muitas vezes também, poeticidade repleta de sensualidade e ao mesmo tempo, delicadeza.


Acima, podemos perceber algumas imagens de pinturas na parede da foto, Egon Schiele, e Vincent van Gogh.





Schiele de novo! Esse minimalismo, simplicidade, só deixam a fotografia dela ainda mais repleta de beleza.


Mais uma vez, detalhes.




A fotografia de Mariá revela também, aliás, ao mesmo tempo que esconde, uma intensidade de sensações, a infinitude, o caos da alma humana, a dor, o mistério do ser. Percebemos isso na foto acima, e nas composições a seguir:


A composição acima, me faz lembrar da seguinte frase de Warley Tomáz: "Cada ser é um universo desconhecido. Atravessamo-lo por toda a vida e não conhecemos de fato". 


Somos furacões. Cada ser tem dentro de si uma força feroz. Selvagem. Intensa. 


A composição acima é uma espécie de narrativa bastante interessante. Do ferimento, a tentativa de cura, até o abismo, que se encontra no próprio corpo, a fotografia nos mostra uma metáfora, um movimento de busca. Recentemente li "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres", de Clarice Lispector. Destaco o seguinte trecho:  "Era cruel o que fazia consigo própria: Aproveitar que estava em carne viva para se conhecer melhor, já que a ferida estava aberta". Ferir-se, dessa forma, é uma necessidade humana, pela busca de seu próprio ser. De se conhecer. Afinal, "é preciso não esquecer e respeitar a violência que temos" (ainda do livro de Clarice), pois até a truculência é importante.


Do caos à calmaria. A fotografia de Mariá, num paradoxo de sensações intensas, nos envolve com essa arte tão magnífica. Para ela, "fotografia é o retrato de um côncavo, de uma falta, de uma ausência". Recentemente, em sua conta do Instagram, Mariá disse estar pensando em trabalhar fotografando, fazendo book. E é tão bom ver essa moça que tanto nos inspira, se dispondo à tal trabalho. Desejamos que tua luz e tua poesia continuem presente em nosso olhar. Trazendo para nós essa beleza, essa ausência que tu falas, e luz, em forma de arte.



Todas as fotos usadas nesse post estão no Flickr de Mariá. Confira nos links abaixo as redes sociais dela:

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