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#RESENHA | CINEMA | 'Passageiros' não é o que promete

  




 


















Certamente uma das poucas características que todos os seres humanos possuem em comum é a de passar por frustrações durante a sua vida, sendo por meio de, entre outras coisas, decepções ou, pior ainda, o sentimento de que se foi enganado durante algum momento.

'Passageiros', que foi divulgado como uma 'robusta' ficção científica certamente se encaixa bem dentro deste contexto. Com um roteiro mais preocupado em criar um romance do que uma ficção com o mínimo de verossimilhança, a sensação que dá ao abandonar a sala de cinema é a de frustração. Não necessariamente pelo filme em si, que é caprichado em determinados momentos, mas pela forma como o marketing trabalhou pesado para criar um longa que não é aquele que você acaba de ver.

O capricho nos efeitos, ambientes da nave, na criação de todo o design é notório e talvez a melhor parte do trabalho dirigido por Morten Tyldum. A trilha sonora também é outro acerto. A história, no entanto, deixa a desejar como sci fi e até como romance funciona de forma meio deslocada às vezes. Neste caso, primeiro devido ao tempo em tela inicial que é todo destinado ao personagem de Chris Pratt, segundo devido ao desenvolvimento afetivo de ambos os protagonistas.

Desde o início da publicidade de 'Passageiros' a ideia mostrada nos trailers era a de que havia um mistério por trás da liberação precoce do personagem vivido por Chris Pratt da cápsula que o mantinha enquanto a nave fazia a sua viagem de 120 anos, mas o filme ignora quase que completamente esta ideia e navega sem rumo por um romance absolutamente frágil numa trama que não tem vergonha de usar e abusar dos seus dois atores. Há sex appeal demais nos dois e na forma como são explorados. Pratt como macho alfa com suas veias saltando do braço a todo instante, sua bunda exposta logo no início e suas cenas sem camisa e/ou de regata e Jennifer Lawrence como a loira gostosona linda dona de si e de uma personalidade forte e interessante, sempre acompanhada de seu pijama de dormir sensual de seda ou seus trajes de banho, que facilmente deixam a câmera explorar o corpo da atriz. Enquanto romance, 'Passageiros' é capaz de fazer as meninas adolescentes cheias de pôsteres de Luan Santana no quarto pirarem nas poltronas dos cinemas, apaixonando-se rapidamente pelas personalidades e corpos de seus protagonistas. E se a promessa era um novo '2001: Uma Odisséia no Espaço' na tentativa de criar um suspense em torno do passageiro Jim e o motivo pelo qual este teria sido misteriosamente acordado, o máximo que nos ofertam é um 'Crepúsculo espacial'.

O arco final finalmente parece encontrar a ação prometida e solucionar o mistério perdido, mas as respostas dadas são as piores possíveis, jogadas de forma que nem parece que durante algum tempo aquele filme nos foi vendido como um suspense dentro de uma ficção científica romântica, sendo na sua apresentação cercado por um desfecho absurdo e por problemas difíceis de resolver resolvidos de maneira fácil demais.

O último ato é bom na ação, mas fraco e nos faz descobrir que, na verdade, nunca houve mistério algum. O início do filme já havia mostrado todo o desenrolar e o motivo pelo qual o personagem Jim, dentre 5.000 passageiros e mais de 200 tripulantes, em toda a História das naves utilizadas para transportar pessoas contada pelo próprio roteiro, foi o único a passar por tal situação. E o pior: não convence de modo algum. Pelo contrário, irrita. É um filme que possui argumentos frágeis demais e que parece existir apenas em prol de um romance entre duas pessoas que estão por acaso numa nave espacial cheias de carga erótica

Sobre o que diabos é este filme dirigido pelo mesmo cara - acreditem! - que fez o belíssimo 'Jogo da Imitação'? Talvez justamente esta pergunta tenha faltado a quem estava por trás do trabalho e a quem cuidou do marketing. Tivesse sido vendido como um romance futurista que por mero detalhe se passa numa nave espacial com problemas técnicos ao menos teríamos sido poupados da frustração de nos sentirmos enganados.

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