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CARIRI | Terceira edição do ‘Amoringar’, na UFCA, é marcado por debate sobre feminicídio

Sala lotada durante o encontro. Foto por Paulo Rossi.

      Aconteceu na última quinta-feira (05) a terceira edição do ‘Amoringar’, encontro promovido pelo Centro Acadêmico Xico Sá, do curso de jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), com o intuito de gerar discussões e reflexões acerca de temas cotidianos. O tema abordado desta vez foi o feminicídio e as discussões foram geradas a partir da exibição do documentário curto ‘Quem Matou Eloá?’, disponível na plataforma do YouTube.
          O caso Eloá aconteceu em 2008, quando Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, invadiu o domicílio de sua ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, no bairro de Jardim Santo André, em Santo André – SP, onde ela e colegas faziam trabalhos escolares. Dois reféns foram liberados inicialmente, restando no interior do apartamento, em poder do sequestrador, apenas a vítima que dá nome ao caso e a sua amiga Nayara Silva.
          O sequestro, o mais longo em cárcere privado já registrado pela polícia do estado de São Paulo, chamou a atenção de toda a mídia nacional e internacional. Boa parte da TV brasileira parou a programação durante as mais de 100 horas de isolamento para dar cobertura, sendo por meio de noticiários, plantões urgentes ou entrevistas bizarras ao vivo com o sequestrador e vítimas. Na busca por exclusivas, personagens como Sônia Abrão tomaram atitudes que, sob as análises trazidas pelo documentário, podem ter interferido completamente no caso, levando ao trágico desfecho. Mesmo na época tais interferências já eram consideradas ‘absurdas’ por muitos dos telespectadores, profissionais da justiça e até mesmo entre os próprios apresentadores de televisão, que se digladiavam em busca de qualquer notícia ou fato novo.

Alunos da UFCA debatem. Foto por Paulo Rossi.

          Mediada por Jayne Machado, 17, integrante da atual gestão do Centro Acadêmico Xico Sá, e a convidada Pâmela Queiroz, 19, e em parceria com o projeto de extensão da Pró-Reitoria de Extensão “Moenda”, que exibiu o documentário e cedeu o espaço da sala usada nos encontros do grupo, a roda de conversa foi bastante produtiva. “O ‘Amoringar’ é fruto de uma das reuniões do Centro Acadêmico de Jornalismo, foi uma ideia pensada para trazer assuntos considerados tabus à tona. A intenção desses encontros é debater, levando discussão e informação aos alunos, quebrando as barreiras do preconceito. Já estamos na nossa terceira edição e este é um projeto que pretendemos levar até o fim da gestão”, relatou Jayne.
          A recém-formada também em jornalismo pela mesma Instituição, Renata Linard, 22, destacou os pontos que achou importantes no debate: “Acho interessante esse tipo de iniciativa. Pude compreender o feminicídio, que é um mal da sociedade, por um viés que responsabiliza, de certa forma, o jornalismo. A gente se sente na missão de ter uma formação no sentido de combater esse tipo de ocorrência como aconteceu com Eloá, do documentário exibido. Isso vai fortalecendo tanto, principalmente as mulheres que fazem parte do curso, quanto os jornalistas de informação de maneira geral, porque eles vão identificar esses possíveis casos e trabalhar para que seja amenizada essa situação do machismo na mídia”. A jovem também expressou contentamento com a divulgação feita da roda de conversa: “Até eu, que não faço mais parte do corpo discente da Universidade, tomei conhecimento”.

Lourival, Pâmela, Jayne e Luan (da dir. à esq.). Foto por Paulo Rossi.

          As primeiras edições do ‘Amoringar’ possuem como tema importantes discussões da sociedade que serão trabalhadas logo mais no ENECOM, Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação, que este ano acontecerá em Juiz de Fora - MG, a partir de hoje (11) e até o dia 15. Os alunos de jornalismo da UFCA se mobilizaram para ir ao evento vendendo pipocas, doces e bombons, com o intuito de arrecadar fundos para a viagem. O ‘Amoringar’, no entanto, deve permanecer mesmo após o encontro.

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