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BRENO ALLEN | #RESENHA 1 | CINEMA | 'Liga da Justiça' é uma grande homenagem ao Universo DC e ao heroísmo


 Estabelecer o universo compartilhado da DC Comics no cinema foi uma tarefa difícil desde o Homem de Aço (2013), justamente por conta do sucesso da Marvel com seu universo de filmes. Encontrar uma forma de apresentar os principais personagens do Universo DC ficou a cargo de Zack Snyder, e o diretor optou por uma nova abordagem com os heróis principais, colocando Batman e Superman em dois filmes com uma atmosfera dramática pesada e sombria. As coisas mudaram em Liga da Justiça.
 O tom sombrio e melancólico que carimbou Homem de Aço e Batman vs Superman agora foi deixado para trás em Liga da Justiça, e deu lugar ao humor, diversão, e principalmente ao heroísmo. A mudança entre os filmes foi necessária e precisa, visto que Liga da Justiça foi idealizado como um filme mais leve e despretensioso desde o início. No seu primeiro filme de super equipe, a DC acerta em cheio no tom divertido e heroico dos seus personagens, mas sem fazê-los perderem suas identidades e o carisma.
  Referente aos personagens principais, eles são o melhor elemento do filme, sem dúvidas. A equipe funciona de um modo impressionante quando está reunida, tudo por causa da interação impecável entre seus membros. Ben Affleck mais uma vez se consagra como a escolha certa para interpretar Batman\Bruce Wayne, dando uma profundidade interessante nesse arco de redenção pelo qual o Homem-Morcego passa durante o filme. Gal Gadot brilha como ninguém quando sua Mulher-Maravilha entra em cena, provando que a atriz agora é tão marcante para a personagem quanto Christopher Reeve é para o Superman, por exemplo. Flash, Aquaman e Ciborgue são gratas surpresas do filme, e as melhores, embora não tenham tido um desenvolvimento tão grande como os personagens pedem. Isso será função dos filmes solo.
  Talvez o ponto mais complicado que o filme tenha de lidar seja o Superman. O herói que foi morto no longa anterior voltaria sendo aquele que os fãs e público tanto queriam. Em Liga da Justiça, sua ausência é sentida por todos, e principalmente pelo Batman, que se culpa pela morte dele. Porém o filme acerta em cheio no personagem, em todos os sentidos, desde o seu retorno da morte até as cenas de luta. Henry Cavill finaliza o desenvolvimento do seu Superman entregando o maior herói de todos os tempos na sua melhor forma, sendo o kryptoniano carismático, piadista e sorridente que todo o mundo conhece. Liga da Justiça se trata antes de tudo desse Superman, aliás, e a sua falta sentida pela Terra, onde o mundo perdeu o seu ideal de esperança e agora lamenta pela sua morte, e de certa forma, isso direciona o longa ao herói, fechando uma espécie de trilogia iniciada em Homem de Aço.
  Os diálogos são bem elaborados e funcionam de modo que o público possa se aproximar e gostar dos protagonistas. O humor também é pontual, apesar de algumas piadas serem fora de hora, a maioria delas não chega a incomodar e são um ponto positivo do filme. A diversão fica por conta das muitas cenas de ação e lutas, que são visualmente lindas, impactantes, bem coreografadas e com velocidade, por mais que o CGI peque em alguns momentos.
  O antagonista da trama não chega a ser um ótimo vilão, mas também não é ruim. O Lobo da Estepe é o típico vilão clichê esquecível. O personagem que foi feito através de computação gráfica é o maior general de Darkseid, e faltou a ele um desenvolvimento melhor para mostrar sua história e motivações, além do básico do vilão com vontade de dominar o mundo. A trama do filme pode ter um ritmo apressado em algumas partes, o que traz algumas soluções que podem parecer rasas para algumas situações do roteiro, como o motivo para o Aquaman e o Flash se juntarem à Liga. A edição, porém, deixou a história mais bem amarrada e com um objetivo claro, o que faltou ao roteiro e edição de Batman vs Superman. A tocha da trilha sonora foi passada de Hans Zimmer para Danny Elfman, que apesar de ser um ótimo compositor, não fez um trabalho tão marcante e poderoso como Hans fez nos filmes anteriores. No entanto, a trilha de Liga não fica muito prejudicada, apesar da falta nítida que Hans Zimmer faz num filme dessa magnitude.
 No fim das contas, o produto é uma grande homenagem ao Universo DC e aos valores e características marcantes dos seus grandes pilares do heroísmo. A primeira reunião da super equipe da empresa nos cinemas não só mudou e estabeleceu o tom dos seus próximos filmes, como também mostrou o que Batman, Superman, Mulher-Maravilha e todo o grupo têm a oferecer de melhor, levando o otimismo e esperança numa linda carta de amor a esses heróis e às trajetórias de cada um deles.

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