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MÁRIO FREIRE | CARIRI | #DICA05DOPROGRAMANOITEADENTRO


   "Eu quero é botar meu bloco na rua, brincar, botar pra gemer!"

   Pode até ser, mas eu acho muito difícil você nunca ter ouvido os versos dessa canção. De febre no carnaval de 1973 a música tema de publicidade do iPhone 7 Plus, 'Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua', carimba o artista capixaba Sérgio Sampaio com o ingrato rótulo de "cantor de uma música só", o que até vale para o mainstream, mas não para a grandiosidade de sua obra.

   Com um timbre de voz único, que passeia entre as clássicas vocalizações da "era de ouro do rádio" e o blues rock moderno, foi cantor de samba-canção e rock psicodélico, reggae, bossa, pop, e tudo mais que você possa querer de um gênio que vai além da música em si e incorpora o que chamamos de arte em sua máxima expressividade.

   Cru, verdadeiro, sentimental, agressivo, doce, profundo, popular, são alguns adjetivos que (não) definem o trabalho do Sérgio. Em todos os seus quatro discos (um deles póstumo), encontramos uma pureza literária e musical um tanto quanto rara. Sua obra se confunde com sua vida. Sérgio Sampaio é um daqueles artistas que podemos chamar de demasiado humano, imprimindo em cada música e em cada verso seus dramas pessoais, suas dores e delícias. 

   O reconhecimento não veio a tempo, não veio em vida. Falecido em maio de 1994, deixou para trás discos geniais que ficaram em parcial esquecimento. Infelizmente não viu os vários boêmios que hoje o recriam, reinventam e o homenageiam por cada canto desse Brasil.

   Enfim, palavras não são suficientes para entender Sérgio Sampaio. Consumi-lo é quase uma experiência transcendental. Cada um sentirá sua arte de uma forma específica e a chance de você ter sua relação com a música popular modificada, é grande.

   "As pessoas são uns lindos problemas", dizia ele. É por aí...






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