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ADLER SOUSA | TEXTOS | "Aquilo que fizeram de mim"



Ensinaram – me a ser aquilo que queriam que eu fosse.

Quando eu era criança, na escola, sempre ficava calado. Gostava de observar as outras crianças, com quem brincavam e o que faziam, e por quais motivos riam ou choravam. Gostava de observar as brigas também. Às vezes sem motivos aparentes, outras vezes porque alguém pegava um brinquedo que não era seu, mas sempre superadas quase que instantaneamente. Achava fascinante o modo como eram diferentes, como elas brincavam com algumas crianças e como não gostavam de outras. Eu simplesmente não entendia as diferenças como algo que podia afastar ou então aproximar.

Até o dia que me empurraram.

Empurraram-me porque eu era diferente. Zombaram de mim porque eu não me encaixava. Quebraram meus brinquedos. Carrinhos e bonecos, todos se foram aos poucos.  Então, com uns tantos brinquedos quebrados, eu comecei a ver a diferença, comecei a entender. Odiei ser diferente. Mais tarde, quando quis ser igual, não consegui. Aprendi mais uma lição com aquilo: que quando alguém quer algo e não consegue, ele se frustra. Comecei a entender a frustração, comecei então a me frustrar. Anos mais tarde, na adolescência, entendi que quem odeia e é frustrado não consegue ter amor próprio. Por não ter amor próprio compreendi o que era autoestima, e percebi que não a tinha. Já na vida adulta, conversando com outros, entendi que quem não ama a si mesmo não pode amar os outros. Então eu não amei. Hoje, por odiar, se frustrar, não ter autoestima e por não amar fui feito quem sou. Fui tudo que me ensinaram a ser.


Tornei-me exatamente aquilo que eles fizeram de mim.

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